quarta-feira, 25 de julho de 2012

São Gaspar del Bufalo
"Apóstolo do Preciosíssimo Sangue" 
Fundador da
Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue - CPPS

Nasceu em Roma aos 06 de Janeiro de 1786. Na sua alocução por ocasião da Canonização deste santo, Pio XII declarou: “Na gloriosa falange dos Santos, que a terra romana deu à Igreja, Gaspar Del Bufalo resplandeceu com especial fulgor. Desde seus mais tenros anos, a proteção de São Francisco Xavier para ter obtido para ele, da Parte de Deus, uma extraordinária profusão de dons sobrenaturais.       
Ainda estudante, entregava-se com assiduidade às obras de caridade e assistência, especialmente ao ensino da doutrina cristã, às crianças e aos pobres. Seguindo os passos de São João Batista de Rossi, fez voltar ao seu vigor primitivo a piedosa obra de São Galla e fundou, pouco depois, o Oratório de Santa Maria in Vincis. Mas seu apostolado em Roma foi interrompido pela invasão das tropas napoleônicas: tendo recusado prestar juramento de fidelidade a um poder hostil aos direitos da igreja, sofreu o exílio e a prisão. Finalmente posto em liberdade, e para maior alegria de quantos o conheciam e o veneravam ainda mais, à sua volta para a sua querida Roma, recebeu do Soberano Pontífice Pio VII o encargo de se consagrar às santas missões, destinadas a renovar o fervor dos fiéis em seus Estados, depois de tantas desordens e destruições causadas pelas perturbações públicas. Retomou então a idéia da instituição de uma congregação de missionários, sob o título de Preciosíssimo Sangue de Jesus, de quem era fidelíssimo propagador e devoto. Apesar de toda a espécie de oposições e obstáculos, inaugurou em 15 de agosto de 1815, a primeira casa da obra, que ele mesmo confiou, com fervor, à proteção da Santíssima Virgem. Assim começou para ele uma vida de incessantes trabalhos; percorreu quase todas as regiões da Itália central, levando por toda a parte, com o exemplo de sua piedade, de sua humildade e de sua caridade, a reconciliação e a paz, o alívio das misérias corporais e sobretudo espirituais. 
 Ditou sábias regras ao Instituto. Com a habitual exclamação: “Ó Paraíso, ó Paraíso!” , subtraía-lhe a toda oferta de dignidades eclesiásticas, desejando permanecer até a morte naquela sua “tribuna”, isto é, no domínio das pregações sagradas, certo como estava de receber assim mais facilmente, e sem atraso, a recompensa eterna. “Martelo dos Sectários”, assim foi chamado, porque combateu com a palavra falada e escrita os inimigos da Igreja, obtendo muitas conversões dos afiliados da sociedade secreta, a maçonaria. Além disso, foi escolhido pelo Papa para fazer desaparecer o banditismo no Lácio.
A sua corajosa atividade pelo saneamento moral e religioso, teve inesperados resultados. Deus se dignou de selar o múltiplo apostolado do seu servo, com sinais extraordinários, de caráter sobrenatural, se bem que lhe reservou uma morte em meio de fadigas e sofrimentos. Foi assim que deixou para seus filhos, um modelo admirável de zelo heróico, imolando-se generosamente para o maior bem das almas.
Faleceu em Roma, em 28 de dezembro de 1837. Foi beatificado pelo Papa Pio X em 8 de dezembro de 1904 e, canonizado por Pio XII em 12 de junho de 1954.
O mês de julho foi estabelecido pela Igreja como o mês dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Jesus. A piedade cristã sempre manifestou, através dos séculos, especial devoção ao Sangue de Cristo derramado para a remissão dos pecados de todo o gênero humano, por ocasião da Paixão e Morte de Jesus e atravessando a história até hoje com Sua presença real no Sacramento da Eucaristia.
Desde tempos muito remotos, a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus sempre esteve presente e floresceu cada vez mais em meio ao clero e aos fiéis, através de solenidades, preces públicas e Ladainha própria, com o fim de pedir a Deus perdão dos pecados, afastar os fiéis dos justos castigos, implorar as bênçãos do céu sobre os frutos da terra, e prover nossas necessidades espirituais e temporais.
No século passado, foi São Gaspar de Búfalo admirável propagador desta insigne devoção, tendo o merecimento da aprovação da Santa Sé e por isto até hoje é conhecido como o "Apóstolo do Preciosíssimo Sangue". Foi por ordem do Papa Bento XIV que foram compostos a missa e o ofício em honra ao Sangue de Jesus para finalmente ser estendida à Igreja Universal por decreto do Papa Pio IX.
O Papa João XXIII, cuja família desde a sua infância foi fiel devota ao Preciosíssimo Sangue, também perpetrou esta santa devoção, tendo logo no início de seu pontificado escrito a Carta Apostólica Inde a Primis, a fim de promover o seu culto, conforme fez menção o Papa João Paulo II em sua Carta Apostólica Angelus Domini, onde frisa o convite de João XXIII sobre o valor infinito daquele sangue, do qual "uma só gota pode salvar o mundo inteiro de qualquer culpa" .
Sejamos, portanto, também devotos propagadores desta extraordinária e salutar prática da piedade cristã.
Papa Bento XVI na Praça São Pedro explicando a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus
“Quem poderá resistir se Jesus derramando está,
Seu Sangue precioso aqui neste lugar!”

Queridos irmãos e irmãs,
No passado o primeiro domingo de julho se caracterizava pela devoção ao Preciosíssimo Sangue de Cristo. Alguns de meus venerados predecessores no século passado o confirmaram, e o beato João XXIII com a Carta Apostólica Inde a primis (30 de junho de 1960), explicou seu significado e aprovou suas Ladainhas. O tema do sangue, unido ao do Cordeiro pascal, é de primordial importância na Sagrada Escritura. A aspersão com o sangue dos animais sacrificados representava e estabelecia, no Antigo Testamento, a aliança entre Deus e o povo, como se lê no livro do Êxodo: “Então Moisés pegou o sangue e o espalhou sobre o povo, dizendo: ‘Este é o sangue da aliança que Javé faz com vocês através de todas essas cláusulas”. (Ex 24, 8).
A esta fórmula Jesus se refere explicitamente na Última Ceia quando, oferecendo o cálice aos discípulos, diz: “este é meu sangue da Aliança, que é derramado por muitos para o perdão dos pecados” (Mt 26, 28). E efetivamente, a partir da flagelação, até ter o lado transpassado após a morte na cruz, Cristo derramou todo seu sangue, como verdadeiro Cordeiro imolado para a redenção universal. O valor salvífico de seu sangue se afirma expressamente em muitas passagens do Novo Testamento. Basta citar, neste Ano Sacerdotal, a bela expressão da Carta aos Hebreus: “Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo), sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna. Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mor tas para o serviço do Deus vivo?” (Hb 9, 11-14).
Queridos irmãos, está escrito no Gênesis que o sangue de Abel, morto pelo irmão Cain, grita da terra para Deus (cf. 4, 10). E infelizmente, hoje como ontem, este grito não cessa, porque o derramamento de sangue humano continua por causa da violência, da injustiça e do ódio. Quando os homens aprenderão que a vida é sagrada e pertence somente a Deus? Quando compreenderão que somos todos irmãos? Ao grito pelo sangue derramado, que se eleva de tantos lugares da terra, Deus responde com o sangue de seu Filho, que entregou sua vida por nós. Cristo não respondeu ao mal com o mal, mas com o bem, com seu amor infinito. O sangue de Cristo é a prenda do amor fiel de Deus pela humanidade. Olhando as chagas do Crucificado, todo homem, ainda em condições de estrema miséria moral, pode dizer: Deus não me abandonou, me ama, deu a vida por mim; e assim voltar a encontrar a esperança. A Virgem Maria, sob a cruz, junto com o apóstolo João, recolheu o testamento do sangue de Jesus, nos ajude a redescobrir a inestimável riqueza desta graça, a sentir para com ela íntima e perene gratidão.

CIDADE DO VATICANO, domingo, 5 de julho de 2009 (ZENIT.org). – O Papa Bento XVI na Praça São Pedro explicando a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus.

Fonte: www.zenit.org (agência de notícias católica).